Precisamos Falar Sobre o Voto Obrigatório

Voto é um direito, nunca um dever. Em uma democracia, ninguém deveria ser obrigado a votar.

Mas quando a lei torna o voto obrigatório – como no Brasil – quem se beneficia?

Para descobrir a resposta, siga o dinheiro.

O principal efeito do voto obrigatório é inflar o número dos eleitores que votam. Isso serve principalmente para justificar a existência do enorme aparato e dos gastos faraônicos da justiça eleitoral e das máquinas partidárias, incluindo os bilhões dos fundos partidário e eleitoral.

“Justiça eleitoral” – a entidade que regulamenta, planeja, executa, opera, totaliza e julga eleições no Brasil – não existe em nenhuma democracia moderna do planeta.

A “justiça eleitoral” brasileira custa 7,5 bilhões de reais por ano, ou 20 milhões de reais POR DIA, mesmo em anos em que não há eleição.

Em 2017, quando não houve nenhuma eleição, o custo do aparato eleitoral foi 50% maior que o de 2016. Quase 90% do dinheiro vai para pagar funcionários (*).

Voto obrigatório não melhora a qualidade do voto, e não beneficia, e nem atrapalha, direita ou esquerda.

Voto obrigatório apenas ajuda quem vive da indústria eleitoral. 

Para os populistas corruptos, que compram voto ou o trocam por favores, não faz nenhuma diferença o voto ser obrigatório ou não. Eles continuarão a compra-lo do mesmo jeito.

Para quem depende de voto de opinião, também não haverá mudança alguma.

Mas se o voto deixar de ser obrigatório, tudo indica que a abstenção será altíssima.

E isso diminuirá a indústria do voto.

Votará quem quiser, quem se sentir preparado e motivado para isso.

A redução do número de pessoas que vão às urnas não afeta a democracia. Basta lembrar que as pessoas, mesmo obrigadas a comparecer à urna, podem votar em branco ou anular o voto.

Basta lembrar que na maior democracia do mundo – os EUA – o voto não é obrigatório, e o dia da eleição não é feriado.

O fim da obrigatoriedade transforma o voto em um exercício voluntário e genuíno de cidadania.

Mas – principalmente – ele reduz o número de votantes de dezenas de milhões para um número muito menor. Serão cidadãos conscientes, que se sentem preparados para escolher seus representantes.

A democracia não é prejudicada. Ao contrário; ela é aperfeiçoada.

Só vai votar quem se sentir preparado e motivado.

Isso é tudo o que os caciques partidários, e os que faturam com a indústria do voto – dentro e fora do Estado – não querem.

 


(*) Fontes: J. R. Guzzo, ‘O Estado de S. Paulo’, 23 de setembro de 2020, e Revista Oeste: https://revistaoeste.com/politica/o-custo-de-uma-eleicao/

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