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		<title>Uma Breve História das Revoluções</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Roberto Motta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 May 2022 08:19:14 +0000</pubDate>
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<p>O termo esquerda vem das posições em que se sentavam os grupos políticos nas reuniões dos Estados Gerais na França, em 1789.</p>
<p>Quem era a favor do Rei no poder sentava-se à direita. Quem era a favor da mudança &#8211; da revolução &#8211; sentava-se à esquerda.</p>
<p>Vem daí a associação da expressão esquerda com mudança e revolução. Mas mudanças nem sempre são para melhor.</p>
<p>O maior exemplo vem da própria Revolução Francesa, que começou com Liberdade, Igualdade e Fraternidade e terminou em uma matança generalizada. A revolução cortou os pescoços dos seus próprios filhos.</p>
<p>Isso SEMPRE acontece nas revoluções de esquerda.</p>
<p>O final da Revolução Francesa, aliás, foi a ascensão de um imperador, Napoleão, que espalharia guerra e destruição por toda a Europa.</p>
<p>Com a queda de Napoleão, voltou a monarquia na França.</p>
<p>Rios de sangue derramados para nada.</p>
<p>Falemos de outras revoluções.</p>
<p>A mais antiga talvez tenha sido a que gerou a Magna Carta, na Inglaterra. Não foi propriamente uma revolução; um grupo de senhores feudais produziu um documento limitando o poder do rei.</p>
<p>Não houve sangue e nem rolar de cabeças, mas criaram-se as bases de sociedades livres e modernas.</p>
<p>Alguns anos depois aconteceu a Guerra Civil Inglesa, na qual as forças do Parlamento lutaram contra as forças do Rei. O Rei foi derrotado e decapitado, e Oliver Cromwell foi proclamado lorde protetor.</p>
<p>Mas a República inglesa durou pouco, e foi seguida pela restauração da Monarquia e, alguns anos depois pela Revolução Gloriosa em 1688, que consolidou o Parlamento como principal força política.</p>
<p>Talvez a revolução mais importante da história tenha sido a Revolução Americana.</p>
<p>As 13 colônias inglesas da América do Norte, depois de protestar durante anos contra as medidas restritivas da liberdade e o aumento de impostos, resolveram se libertar da Inglaterra.</p>
<p>A declaração de independência americana, escrita em 1776, inspirou e ainda inspira o sonho de liberdade ao redor do mundo. Russel Kirk diz que ele é o documento conservador mais bem-sucedido da história da humanidade.</p>
<p>A próxima revolução na nossa lista é a Revolução Russa de 1917.</p>
<p>Marx previu que o comunismo eclodiria nos países industrializados, como consequência da exploração do sistema capitalista e do empobrecimento dos trabalhadores.</p>
<p>Mas a revolução explodiu na Rússia, um país atrasado e agrário, como consequência do regime tirânico dos Czares e das atividades revolucionárias de ativistas como Lenin, auxiliados por outros países.</p>
<p>Lenin estava exilado em Paris e foi levado de volta à Rússia em um vagão de trem blindado fornecido pela Alemanha. A Europa estava no meio da Primeira Guerra Mundial, e interessava à Alemanha que a Rússia se retirasse do conflito.</p>
<p>Por isso a Alemanha ajudou Lênin.</p>
<p>Que erro monstruoso.</p>
<p>A tirania dos Czares foi substituída pela tirania vermelha, e o mundo nunca mais foi o mesmo.</p>
<p>A próxima revolução foi a Chinesa.</p>
<p>O comunista Mao Tsé-Tung conquistou o poder em 1949, após derrotar os nacionalistas liderados por Chiang Kai-Check.</p>
<p>Chiang Kai-Check também não era flor que se cheire; era um líder com tendências autoritárias, que acabou fugindo com suas tropas para Taiwan, onde criou um regime baseado em repressão política.</p>
<p>Até hoje, no mundo inteiro, o comunismo significou terror, opressão, morte e destruição para milhões de pessoas.</p>
<p>O comunismo não foi, como Marx previa, implantado nos países desenvolvidos, mas sim em países atrasados econômica e politicamente.</p>
<p>E SEMPRE fracassou.</p>
<p>Esse fracasso foi o resultado das contradições de um sistema que pregava a igualdade e a solidariedade, mas que sempre criou uma pequena casta que vivia vida de luxo e poder enquanto a maioria permanecia escravizada, ignorante e faminta.</p>
<p>O economista húngaro Janos Kornai diz que a pobreza, a grande desigualdade, a opressão brutal e a guerra seguidos por uma profunda crise na sociedade, é que provocam a revolução e permitem aos comunistas chegar ao poder.</p>
<p>“O fato histórico é que nenhum sistema socialista jamais foi colocado no poder por forças internas, em qualquer país capitalista desenvolvido”, diz Janos Kornai (1).</p>
<p>Em outras palavras: nenhum povo jamais escolheu o comunismo. Ele sempre foi imposto.</p>
<p>Depois das revoluções comunistas nada muda.</p>
<p>Diz Janos: “fica claro que o socialismo não tem nenhuma superioridade sobre o sistema capitalista em tornar realidade valores como igualdade e solidariedade”.</p>
<p>E acrescenta: “em relação a outros valores fundamentais, como bem-estar social, eficiência e liberdade, o sistema socialista não chega nem perto das realizações dos sistemas capitalistas modernos e desenvolvidos”.</p>
<p>Comunismo e socialismo são fraudes intelectuais, que só chegam ao poder &#8211; e se mantém lá &#8211; através de mentiras, opressão e tirania.</p>
<p>E isso precisa ser denunciado, e explicado, todos os dias.</p>
<p>Roberto Motta</p>
<p>(1) Kornai, Janos. The Socialist System, Princeton University Press, 1992, p.28</p>
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		<title>A Teoria da Dependência e a Institucionalização do Atraso</title>
		<link>https://www.robertobmotta.com.br/artigos/a-teoria-da-dependencia-e-a-institucionalizacao-do-atraso/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Roberto Motta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 May 2022 08:15:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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<p>Ao contrário do que aconteceu nos EUA, nossa independência em 1822 não abriu as portas para a industrialização da economia. Permanecemos com uma economia agrária, de baixa produtividade.</p>
<p>O transporte era inexistente. A inexistência de mercados de crédito e capital impossibilitava aos empreendedores importar tecnologia para a indústria.</p>
<p>Nossa economia e nossas finanças públicas dependiam da exportação de algodão e açúcar e, posteriormente, de café. Essa situação só começou a mudar na última década do século XIX, com a (lenta) introdução das ferrovias e a queda do custo de transporte.</p>
<p>O atraso no desenvolvimento do Brasil no século XIX foi causado pelas características intrínsecas da economia brasileira. A culpa foi exclusivamente nossa.</p>
<p>Tudo isso está documentado.</p>
<p>Mas alguns de nossos historiadores, antropólogos, sociólogos e economistas preferiram ignorar os dados históricos e criaram a Teoria da Dependência.</p>
<p>Essa teoria culpa os países desenvolvidos pelo nosso atraso.</p>
<p>Essa escola de pensamento, da qual fizeram parte intelectuais celebrados como Celso Furtado, rejeita o uso sistemático de dados quantitativos para testar hipóteses. E vai mais além: alguns de seus teóricos argumentam que as leis econômicas que regem as economias desenvolvidas não se aplicam aos países em desenvolvimento.</p>
<p>Somos subdesenvolvidos porque isso interessa aos países do primeiro mundo, diz a teoria. A única saída é uma revolução popular que elimine a burguesia e instale o socialismo, eliminando a nossa &#8220;dependência&#8221; dos países desenvolvidos.</p>
<p>Parece piada. Mas é sério.</p>
<p>A Teoria da Dependência afirma que o comércio internacional é a causa de nossa pobreza – ao contrário do que mostra toda a história da humanidade.</p>
<p>É esse raciocínio que criou a política de &#8220;substituição de importações&#8221; – aquela que ainda faz o brasileiro pagar uma fortuna por lixo <em>made in Brazil</em>, em vez de importar tecnologia de primeira linha, o que aumentaria a produtividade, geraria riqueza e espalharia progresso pela economia.</p>
<p>É esse raciocínio que diz que você só pode trazer 1.000 dólares em mercadoria de uma viagem ao exterior (até pouco tempo o limite era de 500 dólares).</p>
<p>É esse raciocínio que nos deu o iPhone mais caro do mundo.</p>
<p>A Teoria da Dependência é inconsistente com os dados econômicos e não consegue explicar a evolução histórica da nossa economia. Mesmo assim, a Teoria da Dependência ainda é a base dos estudos históricos econômicos na América Latina e está entranhada nos livros-texto de nossas escolas e universidades.</p>
<p>Uma mentira repetida mil vezes vira verdade.</p>
<p>O comércio exterior é uma das maiores fontes de enriquecimento das nações.</p>
<p>Exportando aquilo que fazem melhor e importando aquilo que, por várias razões, não conseguem produzir com eficiência, os países melhoram as condições de vida de suas populações e caminham em direção ao desenvolvimento.</p>
<p>A Teoria da Dependência disseminou em nossa cultura um preconceito profundo contra o comércio internacional.</p>
<p>As raízes criadas por essa visão ideologizada do comércio explicam o desempenho medíocre do Brasil no cenário internacional: somando importações e exportações, o total do nosso comércio internacional corresponde a menos de 30% do Produto Interno Bruto, enquanto em países como China, Índia, México e Rússia essa participação está acima de 50% e no Chile ultrapassa os 70%.</p>
<p>No Brasil, exportar e importar envolvem muita burocracia e o Estado é sempre um elemento complicador. Enquanto o custo de exportar um container é de 620 dólares na China, de 1.450 no México e de 1.650 na Argentina, no Brasil esse custo ultrapassa os 2.200 dólares.</p>
<p>Importações continuam sendo vistas, em nossa cultura e por nossos homens públicos, como algo negativo, a ser evitado a todo custo.</p>
<p>Isso cria inúmeras oportunidades para a criação de tarifas de <em>proteção de mercado</em> que, na verdade, protegem apenas alguns produtores à custa de toda a sociedade, que é forçada a pagar mais caro por produtos inferiores fabricados no Brasil.</p>
<p>Essa <em>fabricação</em> nacional, muitas vezes, consiste apenas em encaixar peças importadas e colocar uma plaquinha <em>made in Brazil</em>.</p>
<p>A falácia dessa visão negativa do comércio exterior e das importações já foi desmistificada por Henry Hazlitt em <em>Economia em Uma Só Lição</em> (2):</p>
<blockquote><p>A única coisa que supera o medo de importar, que afeta todas as nações, é o desejo patológico de exportar. Nada pode ser mais inconsistente do ponto de vista lógico. A longo prazo, exportações e importações devem se igualar. São as exportações que pagam pelas importações e vice-versa [&#8230;]
[&#8230;] como John Stuart Mill demonstrou com tanta clareza, o verdadeiro ganho do comércio exterior para o país não está nas exportações, mas nas importações. É através delas que os consumidores conseguem comprar no exterior produtos a preços melhores do que seria possível comprar de produtores nacionais, ou produtos que não existem no país. A verdadeira razão pela qual um país exporta é para pagar por suas importações.</p></blockquote>
<p>O comércio exterior continua sendo visto como uma relação em que existe um ganhador e um perdedor. Mas, como diz Thomas Sowell (3):</p>
<blockquote><p>Comércio internacional não é um jogo de soma zero. As duas partes têm que ganhar, ou o comércio não faria sentido. Não há necessidade de especialistas ou de burocratas do governo determinarem se ambos os lados estão ganhando. A maior parte do comércio exterior, como a maior parte do comércio doméstico, é realizada por milhões de indivíduos, e cada um deles pode decidir se o item comprado vale o que custa e se é um produto melhor do que itens alternativos oferecidos por outros vendedores.</p></blockquote>
<p>Graças à Teoria da Dependência, há muitas décadas os consumidores brasileiros estão sujeitos a políticas de <em>substituição de importações</em>, principalmente na forma de tarifas que tornam a compra de produtos importados – seja um carro, uma máquina ou um serviço – muito mais cara. Sobre as tarifas diz Sowell (4):</p>
<blockquote><p>Uma tarifa protecionista ou qualquer outro tipo de restrição à importação pode dar alívio imediato a uma determinada indústria e, portanto, receber o apoio político e financeiro das empresas e sindicatos daquele ramo. Entretanto, como muitos benefícios políticos, esse também é obtido à custa de outras indústrias e outros cidadãos que não são tão organizados, visíveis ou articulados.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>NOTAS</strong></p>
<p>(1) <em>How Latin America Fell Behind: Essays on the Economic Histories of Brazil and Mexico</em>, <em>1800-1914</em>, Stanford University Press, 1997, p. 1.</p>
<p>(2) Henry Hazlitt, <em>Economics in One Lesson</em>, Three Rivers Press, 1979, p. 85 e p. 89.</p>
<p>(3) Thomas Sowell, <em>Basic Economics</em>, Basic Books, Fifth Edition, p. 475.</p>
<p>(4) Sowell, p. 491 e p. 447.</p>
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		<title>A Importância da Leitura</title>
		<link>https://www.robertobmotta.com.br/artigos/a-importancia-da-leitura/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Roberto Motta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 May 2022 08:01:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="725" height="959" src="https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2022/05/20108222_1039734942830017_2127866007820793224_n.jpg" class="webfeedsFeaturedVisual wp-post-image" alt="" style="float: left; margin-right: 5px;" link_thumbnail="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2022/05/20108222_1039734942830017_2127866007820793224_n.jpg 725w, https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2022/05/20108222_1039734942830017_2127866007820793224_n-302x400.jpg 302w, https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2022/05/20108222_1039734942830017_2127866007820793224_n-605x800.jpg 605w" sizes="auto, (max-width: 725px) 100vw, 725px" /><p>Quando você lê um bom autor, é como se você escutasse o pensamento de outra pessoa. Não é só o conteúdo que importa, mas também a forma da escrita &#8211; as estruturas de linguagem utilizadas para articular pensamentos, sentimentos e impressões sobre o mundo que nos cerca. Quando você lê um bom livro, você não [...]</p>
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<p>Não é só o conteúdo que importa, mas também a forma da escrita &#8211; as estruturas de linguagem utilizadas para articular pensamentos, sentimentos e impressões sobre o mundo que nos cerca.</p>
<p>Quando você lê um bom livro, você não aumenta só seu vocabulário; você aumenta também o seu arsenal de ferramentas usadas para articular, expressar e explicar aos outros a realidade que você percebe.</p>
<p>Isso é incrivelmente importante.</p>
<p>Tudo o que pensamos, nós pensamos em palavras. Escute seus pensamentos por alguns minutos: você está falando alto com você mesmo.</p>
<p>Nossos sentimentos e ações são primeiro expressos em palavras, antes que se tornem realidade. O que nós não conseguimos articular, nós não conseguimos entender. O que nós não conseguimos articular, nós não conseguimos criar.</p>
<p>As palavras são o principal veículo do autoconhecimento. Além disso, a literatura &#8211; a boa literatura &#8211; nos dá uma janela para a experiência de vida dos outros. Ela nos permite desenvolver o que se chama de imaginação moral, a capacidade de compreender experiências vividas por terceiros sem que nós tenhamos, um dia, vivido essas mesmas experiências.</p>
<p>Por isso é importante ler também literatura de ficção &#8211; contos e romances. Um bom romance é sempre criado a partir de fatias da realidade e da experiência do seu autor.</p>
<p>A boa literatura funciona, ao mesmo tempo, como um espelho da nossa experiência e como um tutor, um guia que nos leva por caminhos que, na nossa própria experiência e rotina, nós nunca iríamos percorrer.</p>
<p>Por tudo isso, ler é uma experiência completamente diferente de assistir a um filme ou ouvir um podcast. A atividade de leitura exercita e desenvolve a construção de estruturas lógicas de pensamento que permaneceram depois que o conteúdo da leitura &#8211; que a narrativa &#8211; já tiver sumido de nossa memória.</p>
<p>Ler é muito mais do que acompanhar uma história ou uma descrição de fatos ou argumentos. Ler é exercitar as funções cognitivas mais importantes para o nosso desenvolvimento intelectual, social e emocional.</p>
<p>Gostar de ler é uma dádiva, mas é um gosto que pode ser desenvolvido.</p>
<p>Leia mais. Leia muito. Leia sempre.</p>
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		<title>Me Chame do Que Você É: Os Disfarces do Totalitarismo</title>
		<link>https://www.robertobmotta.com.br/artigos/me-chame-do-que-voce-e-os-disfarces-do-totalitarismo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Roberto Motta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 May 2022 07:57:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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<p>Ler a maioria dos jornais brasileiros, americanos e europeus é fazer uma descoberta surpreendente: parece que não existem mais partidos ou políticos de esquerda.</p>
<p>Todos os partidos e políticos de esquerda agora são chamados de &#8220;centro&#8221; ou &#8220;centro-esquerda&#8221;.</p>
<p>Acabaram também as forças políticas de direita. Agora, quem não é de esquerda é automaticamente chamado de <em>extrema-direita</em>.</p>
<p>Isso é uma pirueta ideológica absurda, incompatível com o verdadeiro jornalismo e com o que mostra a história.</p>
<p>Vamos explicar:</p>
<figure id="attachment_4918" aria-describedby="caption-attachment-4918" style="width: 533px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-4918 size-medium" src="https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2022/05/pacto-molotov-ribbentrop-stalin-533x400.jpg" alt="" width="533" height="400" srcset="https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2022/05/pacto-molotov-ribbentrop-stalin-533x400.jpg 533w, https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2022/05/pacto-molotov-ribbentrop-stalin.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 533px) 100vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-4918" class="wp-caption-text">Assinatura do Pacto Molotov–Ribbentrop entre Stalin e a Alemanha nazista</figcaption></figure>
<p>O mundo é hoje dividido entre duas visões de organização política, econômica, social e moral da sociedade: a esquerda e a direita.</p>
<p>Nas democracias modernas, a esquerda é formada pelos comunistas, socialistas e social-democratas.</p>
<p>Nessas democracias, a direita é formada pelas forças que se opõem à esquerda: conservadores, liberais e libertários.</p>
<p>E os extremos?</p>
<p>A extrema-esquerda é formada pelos elementos radicais de esquerda, que também são socialistas ou comunistas.</p>
<p><em>A diferença entre a esquerda e a extrema-esquerda não é de natureza, é de intensidade</em>. Dizendo de outra forma: a extrema-esquerda quer exatamente as mesmas coisas que a esquerda – partido único, ditadura do proletariado, fim da propriedade privada, coletivização e estatização da economia. A diferença é que, enquanto a esquerda obedece &#8211; mais ou menos &#8211; às regras do jogo democrático (até chegar ao poder, claro) a extrema-esquerda pratica abertamente diversas formas de violência, como ameaças a opositores, distúrbios de rua, “ocupações”, assassinatos, terrorismo e guerrilha (o enfrentamento armado ao Estado).</p>
<p>Mas a diferença entre a direita e o que se convencionou chamar de &#8220;extrema-direita&#8221; <em>não é de intensidade, mas de natureza</em>. É fácil constatar isso: a direita moderna é formada por conservadores, liberais e libertários. Todas essas correntes de pensamento têm como foco o indivíduo. Todas elas consideram os direitos à vida, à liberdade e à propriedade como direitos naturais sagrados. Todas pregam um Estado enxuto, cuja função principal é garantir os direitos do indivíduo e interferir o mínimo possível na vida e na iniciativa privadas. <em>Isso é exatamente o oposto do que pregam as ideologias chamadas de “extrema-direita”: fascismo e nazismo</em>.</p>
<p>Isso leva muitas pessoas a perguntar como fascismo e nazismo podem ser “de direita” se o seu ideário – totalitário, ultraviolento, coletivista e adorador do Estado – nada tem a ver com o ideário dos conservadores, liberais ou libertários que formam a direita.</p>
<p>Isso leva pensadores a questionar se fascismo e nazismo têm, realmente, algo a ver com a direita, ou se são, na verdade, simples variantes do totalitarismo de esquerda. Por exemplo, no seu livro “Sobre Moeda e Inflação”, o economista Ludwig von Mises se refere ao “nacional-socialismo” como “a versão alemã do comunismo”<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a>.</p>
<p>Essa linha de argumentação encontra sustentação em elementos inquestionáveis: as inúmeras semelhanças entre as doutrinas fascista e comunista; o passado socialista de Mussolini, o líder italiano inspirador do fascismo; e o fato histórico, facilmente comprovável, de que nazismo é uma abreviatura do termo alemão que significa &#8220;nacional-socialismo&#8221;, ou socialismo nacional. O nome completo do partido nazista alemão era Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. O nome diz tudo. Por que algum partido se denominaria socialista, se não o fosse?</p>
<p>Confirmações dessa tese vêm de locais improváveis, como o livro <em>Regras Para Radicais</em>, do ativista americano de esquerda Saul Alinsky, guru de toda a esquerda moderna. Alinsky admite que “alguns grupos da extrema-esquerda foram tão longe no círculo político que se tornaram indistinguíveis da extrema-direita<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>”. Exatamente: isso acontece porque a “extrema-direita” é, na verdade, uma mera variante da extrema-esquerda.</p>
<p>É fácil perceber os inúmeros pontos em comum entre os regimes comunistas e fascistas: glorificação do Estado, desprezo pelo indivíduo e seus direitos, coletivização forçada, partido único e uso da violência – campos de concentração, tortura, tribunais de exceção, assassinato de opositores – como instrumento de ação política. A única diferença entre o fascismo e o comunismo é que o fascismo mata em nome da “raça” enquanto o comunismo mata em nome da “classe”.</p>
<p>Para quem é assassinado, isso não faz diferença alguma.</p>
<p>O confronto entre comunismo e fascismo, segundo a opinião de muitos, longe de representar um conflito entre ideologias opostas, seria apenas a disputa monstruosa entre dois regimes totalitários assassinos, competindo pelo monopólio do poder<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a>. É um fato histórico a aliança entre comunistas soviéticos e nazistas alemães no início da Segunda Guerra Mundial. Através da assinatura do pacto Ribbentrop-Molotov comunistas e nazistas dividiram a Europa entre eles. Vale lembrar que o pacto foi finalmente violado pela Alemanha. Se dependesse dos comunistas, a aliança com os nazistas teria perdurado até hoje.</p>
<p>Fascismo não é o oposto, e muito menos o contrário, do comunismo; na verdade, é sua alma gêmea. Fascismo e comunismo são monstros gerados do mesmo ovo de serpente. Ambos têm o mesmo objetivo; colocar no poder um pequeno grupo que goza de poder absoluto, enquanto a maioria da sociedade é reduzida à servidão e à pobreza mais absoluta.</p>
<p>Fascismo e nazismo nada têm a ver com o pensamento da direita moderna – o pensamento liberal de Hayek e Mises, o pensamento conservador de Burke e Kirk ou as ideias libertárias de Walter Block e Hans-Hermann Hope. Ao contrário: os maiores oponentes dos regimes totalitários, nos dias de hoje, são <em>exatamente</em> os liberais e os conservadores (no campo político, principalmente esses últimos).</p>
<p>Repetindo: as pautas principais da direita moderna são a defesa da liberdade, da autonomia e da independência do indivíduo, a defesa dos direitos naturais &#8211; principalmente direito à vida, à propriedade e à autodefesa &#8211; e a rejeição a todo tipo de tirania e coletivismo. Portanto, diz a lógica mais básica, nenhum movimento político que viole esses princípios pode ser considerado “de direita”. <em>Por definição, não existe liberal ou conservador extremista</em>.</p>
<p>Por isso, da próxima vez que um comunista usar os crimes do fascismo para atacar a direita, explique isso a ele: fascismo nada tem a ver com direita. Fascismo é um regime totalitário nascido da costela do comunismo, ao qual está ligado por ideias, políticas, líderes e crimes.</p>
<p>Fascismo, nazismo, comunismo e socialismo são ideologias totalitárias, promotoras do extremismo, do atraso e da miséria, nascidas no mesmo berço e que pertencem à lata de lixo da história.</p>
<p>Como disse Francis Fukuyama em um recente artigo para o The Wall Street Journal, “<em>todos os anos, centenas de milhares de pessoas – às vezes milhões – deixam países pobres, violentos e mal-governados em busca de uma vida melhor. Seu destino de escolha nunca é a China, a Rússia ou a Venezuela. Em vez disso, eles procuram sociedades liberais bem governadas, onde seus filhos terão maior liberdade e oportunidade<a href="#_ftn4" name="_ftnref4"><strong>[4]</strong></a></em>’.</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Mises, Ludwig v.; <em>Sobre Moeda e Inflação</em>, LVM Editora, 2017, p.116.</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Alisnky, Saul. <em>Rules for Radicais</em>, Vintage Books, 1989, p.xxii.</p>
<p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Uma descrição da catástrofe que resulta desse embate pode ser encontrada no livro <em>Berlin 1945</em>, que descreve os últimos dias da Segunda Guerra Mundial, quando o Exército Vermelho da União Soviética invadiu a Alemanha e ocupou Berlin.</p>
<p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> https://www.wsj.com/articles/the-long-arc-of-historical-progress-11651244262?page=1</p>
</div>
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		<title>A Guerra ao Rio de Janeiro</title>
		<link>https://www.robertobmotta.com.br/artigos/a-guerra-ao-rio-de-janeiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Roberto Motta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 May 2022 07:49:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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<p>A disposição de jogar o Rio no caos encontra apoio no projeto esquerdista de destruição da justiça criminal brasileira, em andamento desde meados dos anos 1980.</p>
<p>O capítulo mais recente dessa história, escrito em 2020, foi a suspensão das operações policiais nas comunidades por “razões sanitárias”.</p>
<p>É isso mesmo que você leu. O mais elevado tribunal do país determinou que a polícia do Rio só pode realizar operações em caso de “extrema necessidade” e com aviso prévio.</p>
<p>Quem mora no Rio sabe que bandidos realizam operações com frequência e sem aviso. Com a suspensão das operações policiais, esses criminosos – principalmente as tropas do narcotráfico, compostas por sociopatas sem moral, ética, empatia ou vergonha &#8211; perderam qualquer limite.</p>
<p>As 1.400 comunidades do Rio viraram refúgio para criminosos de todo país. É difícil imaginar que esse resultado não fosse imaginado pelas pessoas responsáveis pela decisão de suspender as operações.</p>
<p>Essa suspensão foi determinada em resposta a uma ação proposta ao STF pelo Partido Socialista Brasileiro, apoiado pela Defensoria Pública do Estado do Rio e por uma série de ONGs do lucrativo e midiático ecossistema dos “direitos humanos”.</p>
<p>E cariocas e fluminenses que se explodam. A polícia e o governo do estado que se virem. Os moradores das comunidades que abaixem a cabeça e sirvam de bucha de canhão para o narcotráfico. Esse é o resumo, em português claro, da mensagem enviada por essa decisão.</p>
<p>Uma das consequências foi o fortalecimento das facções do narcotráfico que mantêm, no Rio, suas bases logísticas. Operações policiais recentes, uma no Jacarezinho e outra na Vila Cruzeiro, ao invés de encontrar criminosos, encontraram batalhões de narco guerrilheiros armados com granadas e fuzis, e usando roupas táticas e botas de combate.</p>
<p>Foi grande o número de criminosos mortos, como seria inevitável. As equipes que conduziram essas operações, a CORE e o BOPE são, provavelmente, as duas equipes mais bem treinadas da polícia no Brasil.</p>
<p>Sorte nossa, azar dos traficantes e vergonha para o Rio.</p>
<p>Nada é mais impressionante, nesse cenário, do que a apatia da maioria dos políticos e a quase totalidade das lideranças civis, empresariais, culturais e de mídia do Rio de Janeiro.</p>
<p>Para infinita vergonha do cidadão de bem, a maioria das figuras de relevo da sociedade do Rio escolheu a indiferença e o silêncio – ou, pior ainda, embarcou na nave insensata da bandidolatria.</p>
<p>Esse grupo, liderado por “especialistas” que nada sabem, aplaudiu a suspensão das operações e chorou a morte dos bandidos, acusando os policiais de cometerem “chacina” e até apoiando a construção de um inacreditável monumento em memória dos criminosos do Jacarezinho.</p>
<p>Esse comportamento sinaliza mais do que apatia, covardia, oportunismo político e falta de discernimento moral.  Ele mostra que a destruição da justiça criminal brasileira –parte central do projeto político de poder da extrema esquerda &#8211; encontrou no Rio de Janeiro seu solo mais fértil.</p>
<h2>O cenário diante de nós é trágico.</h2>
<p>Temos um Congresso ineficaz na produção de legislação penal, um Judiciário cada vez mais dominado pelo ativismo judicial de caráter político-partidário, e a presença, em posições chaves da República, de extremistas de esquerda obcecados com o poder totalitário a qualquer custo.</p>
<p>As únicas luzes no fim do túnel são um Presidente da República que se posiciona de maneira firme em clara, em defesa da lei e da ordem, e a existência de forças policiais, civis e militares, que nos protegem do caos absoluto.</p>
<p>Somos salvos por essa polícia, bem-preparada e combativa, que a despeito de tudo e de todos, se mantém fiel à sua missão.</p>
<p>Se o Rio de Janeiro ainda não mergulhou no caos completo &#8211; levando, junto, uma boa parte do Brasil &#8211; é devido a esses policiais.</p>
<p>É a eles que devemos saudações e as mais altas honrarias.</p>
<p>Parabéns aos policiais do Rio de Janeiro. Parabéns ao BOPE e à CORE.</p>
<p>Força e honra.</p>
<p>Falcão sempre.</p>
<p>E que a elite do Rio de Janeiro consiga, um dia, superar a covardia, a deficiência moral e a apatia.</p>
<div id="gtx-trans" style="position: absolute; left: -30px; top: 1095.53px;">
<div class="gtx-trans-icon"></div>
</div>
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		<item>
		<title>A Geopolítica dos Covardes: 4 Cenários Para a Ucrânia</title>
		<link>https://www.robertobmotta.com.br/artigos/a-geopolitica-dos-covardes-4-cenarios-para-a-ucrania/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Roberto Motta]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Mar 2022 21:03:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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<p>Cenário 1: <em>Vitória da Rússia</em>. Nesse cenário, a Ucrânia não consegue resistir à superioridade militar do inimigo. Os EUA e a Europa decidem não correr o risco de envolvimento na guerra. As armas e equipamentos fornecidos pelo Ocidente à Ucrânia não fazem qualquer diferença (boa parte das armas são desviadas antes mesmo de chegar) e o país não consegue mais suportar a destruição e as mortes. Zelensky é morto ou decide pela rendição e exílio. Um novo grupo favorável à Rússia assume o poder. A força de Putin se amplia, e com ela as ameaças aos países vizinhos. As relações da Rússia com o ocidente permanecem tensas e a economia mundial segue instável por um longo período. Considero esse cenário o mais provável.</p>
<p>Cenário 2: <em>Derrota e Retirada</em>. Depois de chegar à conclusão de que não é possível atingir seus objetivos na Ucrânia – sejam eles quais forem – Putin negocia termos minimamente aceitáveis com a Ucrânia e a OTAN e leva suas tropas de volta à Rússia. A economia mundial se recupera aos poucos, à medida que as sanções contra a Rússia são retiradas. Esse cenário parece pouco provável no momento. A superioridade militar da Rússia é esmagadora e está sendo usada por Putin sem qualquer hesitação.</p>
<p>Cenário 3: G<em>uerra Total</em>. A OTAN e a União europeia enviam armas para Ucrânia; essas armas – incluindo jatos de combate &#8211; provocam uma resposta da Rússia, o que causa uma escalada na violência do conflito, produzindo grande número de mortes e a devastação do país. A OTAN decide implantar uma zona de exclusão aérea, impedindo a operação de aviões da Rússia sobre a Ucrânia. Por fim, a OTAN envia tropas para Ucrânia. Tudo isso acaba provocando um conflito direto entre o Ocidente e a Rússia. Começa um conflito armado convencional de larga escala na Europa. Não acredito que o conflito evolua para um confronto nuclear, mas, mesmo assim, um conflito desse porte seria um desastre econômico e social, com profundas implicações para o Ocidente. Entre essas implicações estariam, provavelmente, o abandono das pautas progressistas como eixo central da política ocidental, o retorno a uma situação de preocupação maior com segurança militar, energética e alimentar e um redirecionamento dos regimes políticos na direção do autoritarismo populista (como aconteceu entre a primeira e a segunda guerras mundiais). Considero esse cenário o menos provável de todos.</p>
<p>Cenário 4: <em>Vietnã na Ucrânia</em>. Nesse cenário, apesar de não conseguir atingir seus objetivos, Putin decide manter as tropas na Ucrânia como uma força de ocupação. Isso transforma o conflito em uma guerra de baixa intensidade entre o exército russo e forças de guerrilha Ucranianas alimentadas e municiadas pelo Ocidente. As sanções contra Rússia são mantidas o que provoca uma degradação na economia mundial. A ocorrência de uma recessão mundial dependerá da insistência do Ocidente em manter as sanções contra a Rússia.</p>
<p>Em qualquer cenário, não há saída simples e rápida para a crise em que Putin mergulhou o mundo.</p>
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		<item>
		<title>O Risco Nuclear da Ucrânia</title>
		<link>https://www.robertobmotta.com.br/artigos/o-risco-nuclear-da-ucrania/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Roberto Motta]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Mar 2022 15:03:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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<p>O número de armas nucleares já chegou a <em>setenta mil</em> na década de 1980. Apesar da grande redução, Estados Unidos e Rússia ainda possuem mais armas nucleares do que o necessário para destruir um ao outro muitas vezes.</p>
<p>Se os russos ou a OTAN resolverem usar armas nucleares em um conflito na Europa, o resultado poderia ser a transformação de um confronto local em uma guerra nuclear europeia ou uma catástrofe global. Dezenas de milhões de pessoas morreriam nos primeiros minutos dos ataques.</p>
<p>Um estudo de 2002 sobre um conflito entre os Estados Unidos e a Rússia concluiu que, se 350 das ogivas nucleares russas atingissem alvos industriais e militares nos Estados Unidos, entre 70 e 100 milhões de pessoas morreriam nas primeiras horas em explosões e incêndios.</p>
<p>Muitas outras pessoas seriam expostas a doses letais de radiação. Toda a infraestrutura econômica do país seria destruída – a internet, a rede elétrica, o sistema de distribuição de alimentos, o sistema de saúde, o sistema bancário e a rede de transportes.</p>
<p>Nas semanas seguintes a maioria dos que não morreram no ataque inicial morreria de fome, radiação e doenças epidêmicas. Um contra-ataque dos EUA causaria a mesma destruição na Rússia e, se as forças da OTAN estivessem envolvidas, Canadá e Europa teriam destino semelhante.</p>
<p>Estudos científicos indicam que a poeira e as cinzas produzidas por uma guerra nuclear com 100 a 200 explosões criariam um efeito climático &#8211; o inverno nuclear &#8211; duradouro e catastrófico que devastaria a produção de alimentos e levaria à fome em muitas partes do mundo.</p>
<p>Os presidentes dos EUA e da Rússia têm autoridade exclusiva para autorizar o uso de armas nucleares, o que significa que não precisam da concordância de seus secretários, conselheiros militares ou de outros representantes eleitos do povo.</p>
<p>No meio de seu ataque à Ucrânia, o presidente russo Vladimir Putin, em 27 de fevereiro, ordenou que as forças nucleares da Rússia passassem para um estado de alerta mais alto, um &#8220;regime especial de combate”.</p>
<p>A invasão russa da Crimeia em 2014 e a invasão atual violam o Memorando de Budapeste sobre Garantias de Segurança de 1994, assinado por Estados Unidos, Rússia e Reino Unido.</p>
<p>O acordo ampliou garantias de segurança sobre ameaças contra a independência da Ucrânia. Em troca, a Ucrânia aderiu ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear de 1968 e devolveu à Rússia as 1.900 ogivas nucleares que herdara da União Soviética.</p>
<p>A Ucrânia não tinha controle operacional das armas nucleares soviéticas localizadas em seu território, e nem condições de garantir sua segurança. Portanto, argumentos de que uma Ucrânia com armas nucleares seria mais segura não têm sentido.</p>
<p>A situação na Ucrânia é muito grave, e exige bom senso, cautela e extremo cuidado dos líderes mundiais.</p>
<p>O risco de que um erro de cálculo possa provocar uma escalada do conflito para uma guerra nuclear é real e imediato.</p>
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		<title>As Brigadas Woke na Guerra de Putin</title>
		<link>https://www.robertobmotta.com.br/artigos/as-brigadas-woke-na-guerra-de-putin/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Roberto Motta]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Feb 2022 17:38:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<img width="1200" height="743" src="https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2021/03/War-.jpg" class="webfeedsFeaturedVisual wp-post-image" alt="" style="float: left; margin-right: 5px;" link_thumbnail="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2021/03/War-.jpg 1200w, https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2021/03/War--646x400.jpg 646w, https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2021/03/War--768x476.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><p>A partir do fim da Segunda Guerra Mundial estabeleceu-se no ocidente a crença de que o modelo político chamado de democrático &#8211; com voto popular universal (obrigatório no Brasil), governos eleitos periodicamente e três poderes “independentes” – as aspas são sempre necessárias &#8211; é a receita universal da paz e da prosperidade, que deve ser adotada por todas as nações.</p>
<p>Isso é, claramente, um equívoco.</p>
<p>Há extensas regiões do planeta cujas circunstâncias históricas e características culturais, geográficas e políticas jamais permitirão a adoção desse sistema.</p>
<p>O ocidente já deveria ter aprendido essa lição, por exemplo, no Afeganistão e no Iraque.</p>
<p>Não aprendeu.</p>
<p>Pior: ao mesmo tempo em que esse equívoco intelectual e geopolítico passou a ser aceito como dogma no ocidente, ficava cada vez mais óbvia a captura do modelo “democrático” ocidental por interesses corporativistas e privados.</p>
<p>Acontece diante dos nossos olhos, todos os dias.</p>
<p>Esses interesses usam o Estado como instrumento para extrair riqueza da maioria das pessoas e transferi-la para as mãos dos grupos que controlam o poder político. É daí que nasce o odiado “político profissional” ocidental, o populista cujo único objetivo é ser reeleito a cada quatro anos. Uma vez no poder, ele usará de todos os meios para jamais sair de lá.</p>
<p>O resultado é a degradação do sistema democrático. O que o ocidente tem visto é um Estado cada vez maior e mais perdulário, com dívida pública sempre crescente e aumento contínuo de gastos e impostos – tudo isso para financiar a máquina estatal, sempre operada em benefício dos grupos que a controlam e dos seus amigos.</p>
<p>Isso não acontece só no Brasil.</p>
<p>Esse processo ocorre no mundo todo, embora seja especialmente brutal e visível nos países em desenvolvimento. Neles ainda se alimenta a ilusão de que o “aperfeiçoamento das instituições” resolverá esses problemas; basta atingir o tal “Estado Democrático de Direito” e o cidadão, finalmente, receberá do papai Estado todos os “produtos e serviços gratuitos e de qualidade” aos quais ele tem direito.</p>
<p>Segundo o político populista ocidental moderno, o Estado deve fornecer tudo que o cidadão precisa, do berço ao túmulo. Claro que, para que essa felicidade total seja possível, os políticos e burocratas estatais precisam levar a sua parte.</p>
<p>Esse é um Estado superpoderoso e ultra competente, capaz de supervisionar atividades que vão desde a vida sexual dos seus cidadãos e o que eles aprendem nas escolas até a prevenção de deslizamento de encostas em todas as cidades do país.</p>
<p>Esse Estado é o sonho dos populistas; é o Estado que pode tudo, que concentra toda a riqueza e todo o poder nas mãos de poucos – riqueza e poder que são usados para garantir a vitória nas próximas eleições. Um povo que depende do Estado para tudo é um povo que não tem qualquer direito de escolha – <i>principalmente a escolha de quem comandará o Estado</i>.</p>
<p>Esse processo de transformação do sonho democrático em pesadelo populista já foi brilhantemente descrito por vários autores. Vale a pena ler <i>Democracia, O Deus Que Falhou</i>, de Hans-Hermann Hoppe, <i>A Grande Degeneração</i>, de Niall Ferguson e <i>Além da Democracia</i>, de Frank Karsten e Karel Beckman.</p>
<p>Mas a história fica ainda pior.</p>
<p>Nos últimos anos, o processo de deterioração do modelo democrático foi acelerado por um outro fator: o uso do Estado para a imposição da pauta “woke”.</p>
<p>O movimento “woke” é a mais nova criação do gramcismo cultural, a estratégia de transformação de pautas sociais originalmente legítimas e importantes em fantoches ideológicos cuja missão é promover conflitos entre grupos e disseminar conceitos marxistas revolucionários de forma subliminar. O objetivo final, como sempre, é destruir o sistema “capitalista opressor” e substituí-lo pela inalcançável e sempre mortal fantasia socialista.</p>
<p>O movimento “woke” exige um esforço organizado de invasão da esfera do comportamento privado para impor padrões de pensamento e comportamento considerados “corretos” por alguma autoridade central invisível.</p>
<p>O “woke” exige que o “Estado Democrático de Direito” invada a vida privada individual promovendo criminalização de opinião, censura e autocensura, ativismo judicial (para a produção de “leis” que nunca foram votadas por parlamentos) e realizando um patrulhamento minucioso do discurso público.</p>
<p>O pior aspecto da tirania “woke” é a manufatura contínua de novas exigências intelectuais, psicológicas e comportamentais que transformam a vida do cidadão comum em um balé em torno do abismo. É impossível saber que tipo de comportamento passou a ser proibido e que nova palavra ou slogan passou a ser de uso obrigatório. Um único “erro” pode significar difamação, exclusão social, desemprego e até penalização criminal.</p>
<p>Nem as empresas privadas escaparam da infecção woke; seus departamentos de marketing não têm mais como missão divulgar e vender produtos e serviços; sua missão agora é moldar um <i>novo cidadão democrático</i>, cujo pensamento, comportamento, expressão sensual e até linguagem precisam ser permanentemente monitorados e ajustados.</p>
<p>A mensagem mais comum desse moderno marketing woke &#8211; como vimos recentemente na propaganda de bancos, lanchonetes e até academias &#8211; é um anúncio que humilha e ofende de forma grosseira seus próprios clientes.</p>
<p>Esse é, portanto, um resumo rápido do ocidente moderno: o modelo “democrático”, baseado no voto “popular”, produziu um Estado que trabalha para si mesmo, extraindo riqueza cada vez maior da população em geral e a concentrando nas mãos de oligarcas e políticos profissionais.</p>
<p>Com a onda “woke”, esse Estado &#8211; ajudado pelas corporações que dele dependem &#8211; passou a exigir também subserviência moral e comportamental de seus vassalos &#8211; opa, quer dizer, cidadãos &#8211; traindo a narrativa essencial e original da democracia.</p>
<p>Esse é, obviamente, um modelo insustentável.</p>
<p>O que vem a seguir, ninguém consegue dizer. Mas uma observação atenta dos acontecimentos na Ucrânia pode ajudar a desfazer as ilusões perigosas com a qual o ocidente ainda se engana.</p>
<p>Antes que seja tarde.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Sob o Ardente Sol da Impunidade</title>
		<link>https://www.robertobmotta.com.br/artigos/sob-o-ardente-sol-da-impunidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Roberto Motta]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Jan 2022 20:29:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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<p>Eu acho que vocês vão gostar do livro. Mas não posso esperar; vi, em várias redes sociais, avisos de uma campanha – mais uma – a favor dos direitos dos criminosos presos. Então preciso dizer algumas coisas.</p>
<p>A primeira é que inexiste qualquer defesa intelectual minimamente decente do “desencarceramento”. Os ativistas dessa causa mentirosa, embriagados pela mentalidade marxista revolucionária, se propuseram uma tarefa mágica, jamais realizada em qualquer sociedade humana: acabar com as cadeias, os locais onde são colocados os criminosos.  Essa obsessão &#8211; ao mesmo tempo infantil, arrogante e sinistra &#8211; resulta em uma grave deformação da imaginação moral e erosão definitiva da capacidade de raciocínio.</p>
<p>A deformação da imaginação impede o ativista de mostrar empatia pelas vítimas dos criminosos, e até de reconhecer a sua existência; tudo o que ele consegue ver – e as únicas coisas que o preocupam – são o bem-estar e a liberdade dos criminosos. A erosão do raciocínio lógico impossibilita ao ativista entender a clara e inequivocamente demonstrada relação existente entre o aumento de prisões de criminosos e a redução no número de crimes cometidos.</p>
<p>O resultado dessa debilidade moral e lógica é a absurda conclusão de que a única política pública aceitável é a extinção das cadeias, ou a sua transformação em um local que seria uma mistura de uma sofisticada clínica terapêutica com uma colônia de férias. Na prática, considerando-se a permanente falta de recursos do Estado, trabalhar pela segunda opção equivale a promover a primeira.</p>
<p>Por isso, sempre que te mostrarem a foto de um criminoso preso em uma cela superlotada, como se fosse um pobre coitado, peça para ver as fotos das vítimas dele.</p>
<p>Sempre que te pedirem sua compaixão para um bandido, peça compaixão para as vítimas feridas ou mortas.</p>
<p>Sempre que uma ONG vier falar dos direitos dos criminosos presos, pergunte quem vai defender os direitos das vítimas.</p>
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		<title>Precisamos Falar Sobre o Voto Obrigatório</title>
		<link>https://www.robertobmotta.com.br/artigos/precisamos-falar-sobre-o-voto-obrigatorio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Roberto Motta]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Aug 2021 14:26:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="695" height="712" src="https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3.7-editado.jpg" class="webfeedsFeaturedVisual wp-post-image" alt="" style="float: left; margin-right: 5px;" link_thumbnail="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3.7-editado.jpg 695w, https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3.7-editado-390x400.jpg 390w" sizes="auto, (max-width: 695px) 100vw, 695px" /><p>Voto é um direito, nunca um dever. Em uma democracia, ninguém deveria ser obrigado a votar. Mas quando a lei torna o voto obrigatório &#8211; como no Brasil &#8211; quem se beneficia? Para descobrir a resposta, siga o dinheiro. O principal efeito do voto obrigatório é inflar o número dos eleitores que votam. Isso serve [...]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="695" height="712" src="https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3.7-editado.jpg" class="webfeedsFeaturedVisual wp-post-image" alt="" style="float: left; margin-right: 5px;" link_thumbnail="" decoding="async" loading="lazy" srcset="https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3.7-editado.jpg 695w, https://www.robertobmotta.com.br/wp-content/uploads/2021/08/3.7-editado-390x400.jpg 390w" sizes="auto, (max-width: 695px) 100vw, 695px" /><p class="p1">Voto é um direito, nunca um dever. Em uma democracia, ninguém deveria ser obrigado a votar.</p>
<p class="p1">Mas quando a lei torna o voto obrigatório &#8211; como no Brasil &#8211; quem se beneficia?</p>
<p class="p1">Para descobrir a resposta, siga o dinheiro.</p>
<p class="p1">O principal efeito do voto obrigatório é inflar o número dos eleitores que votam. Isso serve principalmente para justificar a existência do enorme aparato e dos gastos faraônicos da justiça eleitoral e das máquinas partidárias, incluindo os bilhões dos fundos partidário e eleitoral.</p>
<p class="p4">“Justiça eleitoral” &#8211; a entidade que regulamenta, planeja, executa, opera, totaliza e julga eleições no Brasil &#8211; não existe em nenhuma democracia moderna do planeta.</p>
<p class="p4">A “justiça eleitoral” brasileira custa 7,5 bilhões de reais por ano, ou 20 milhões de reais POR DIA, mesmo em anos em que não há eleição.</p>
<p class="p4">Em 2017, quando não houve nenhuma eleição, o custo do aparato eleitoral foi 50% maior que o de 2016. Quase <span class="s1">90% do dinheiro vai para pagar funcionários</span> (*).</p>
<p class="p1">Voto obrigatório não melhora a qualidade do voto, e não beneficia, e nem atrapalha, direita ou esquerda.</p>
<p class="p1">Voto obrigatório apenas ajuda quem vive da indústria eleitoral.<span class="Apple-converted-space"> </span></p>
<p class="p1">Para os populistas corruptos, que compram voto ou o trocam por favores, não faz nenhuma diferença o voto ser obrigatório ou não. Eles continuarão a compra-lo do mesmo jeito.</p>
<p class="p1">Para quem depende de voto de opinião, também não haverá mudança alguma.</p>
<p class="p1">Mas se o voto deixar de ser obrigatório, tudo indica que a abstenção será altíssima.</p>
<p class="p1">E isso diminuirá a indústria do voto.</p>
<p class="p1">Votará quem quiser, quem se sentir preparado e motivado para isso.</p>
<p class="p1">A redução do número de pessoas que vão às urnas não afeta a democracia. Basta lembrar que as pessoas, mesmo obrigadas a comparecer à urna, podem votar em branco ou anular o voto.</p>
<p class="p1">Basta lembrar que na maior democracia do mundo &#8211; os EUA &#8211; o voto não é obrigatório, e o dia da eleição não é feriado.</p>
<p class="p1">O fim da obrigatoriedade transforma o voto em um exercício voluntário e genuíno de cidadania.</p>
<p class="p1">Mas &#8211; principalmente &#8211; ele reduz o número de votantes de dezenas de milhões para um número muito menor. Serão cidadãos conscientes, que se sentem preparados para escolher seus representantes.</p>
<p class="p1">A democracia não é prejudicada. Ao contrário; ela é aperfeiçoada.</p>
<p class="p1">Só vai votar quem se sentir preparado e motivado.</p>
<p class="p1">Isso é tudo o que os caciques partidários, e os que faturam com a indústria do voto &#8211; dentro e fora do Estado &#8211; não querem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<hr />
<p class="p7"><span class="s3">(*) Fontes: </span>J. R. Guzzo, ‘O Estado de S. Paulo’, 23 de setembro de 2020, e Revista Oeste: https://revistaoeste.com/politica/o-custo-de-uma-eleicao/</p>
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